É por certo evidente que os enfoques orientais e ocidentais da consciência podem ser usados em separado, pois é precisamente o que está acontecendo hoje; mas agora já deve estar claro que eles também podem ser usados de maneira complementar. Muitos advogados exclusivos dos enfoques orientais propendem a zombar de todas as tentativas de criar egos saudáveis, sustentando que o ego, por si mesmo, é a própria origem de todo o sofrimento do mundo e que, dessa maneira, um ego "saudável" será, na melhor das hipóteses, uma contradição e, na pior, uma cruel brincadeira. Do seu nível de consciência, eles estão certos, e - nesse contexto - concordamos totalmente com os seus pronunciamentos. Entretanto, não nos precipitemos - até o hindu encara a vida como um ciclo de involução e evolução do Eu Absoluto, e admite que muitos de nós, com toda a probabilidade, viveremos esta vida como jivatman, como um ego isolado (embora ilusório) que se defronta com um universo estranho. É precisamente nesses casos que as psicoterapias ocidentais podem oferecer, pelo menos, uma libertação parcial do sofrimento inerente ao fato de se ser um jivatman, e não há razão por que elas não devam ser empregadas nessa situação. Imagine-se, por exemplo, um homem de negócios de meia-idade, razoavelmente feliz da vida, pai de dois filhos, bem-sucedido na profissão, que chegasse ao consultório de um terapeuta para queixar-se de sintomas relativamente sem importância de ansiedade e pressão. Se todos os terapeutas, seguindo a direção de mestres orientais, começassem a responder a esse tipo de problema com sugestões como esta: "Meu caro, você está sofrendo de ansiedade metafísica básica porque não compreende que se acha em comunhão fundamental com Deus", os pacientes, em toda a parte, sairiam correndo do consultório dos psicólogos na procura ansiosa de "bons médicos". A imensa maioria das pessoas, sobretudo na sociedade ocidental, não está pronta, nem disposta, a realizar experiências místicas, e tampouco é capaz de fazê-lo, não devendo ser empurrada para uma aventura desse tipo. Qualquer coisa como um simples aconselhamento que visasse a integrar projeções sobre o Nível do Ego bastaria em muitos casos. E, por conseguinte, os enfoques ocidentais da psicologia do ego são perfeitamente legítimos nesses níveis.
Se o jivatman, contudo, buscar a libertação (isto é, buscar um entendimento do Nível da Mente), as abordagens ocidentais poderão ser usadas como preparação preliminar ou como auxílio concomitante, pois quaisquer métodos que ajudem a promover um estado de relaxamento e tensão reduzida são conducentes à experiência mística. Chegando a uma conclusão bastante geral, portanto, podemos declarar que, para os seguidores da abordagem oriental do Nível da Mente, os meios ocidentais de normalização do Nível do Ego e do Nível Existencial podem revelar-se proveitosíssimos, já que a redução das tensões inerentes ao fato de sermos um ego parece facilitar a transcendência.
No último meio século saíram à luz numerosos livros e artigos que tratam dos vários méritos dos enfoques orientais e ocidentais da consciência mas, com poucas exceções, os autores dessas obras são partidários de uma ou de outra abordagem, e - a despeito das enormes contribuições de alguns deles - acabam, invariavelmente, quer de maneira sutil, quer de maneira espalhafatosa, tachando o outro enfoque de inferior, inexato ou simplesmente grotesco. Demos a entender que o problema de decidir qual o "melhor" enfoque é um falso problema, uma vez que cada uma dessas abordagens trabalha com um nível diferente de consciência. Outra maneira de demonstrá-lo é acentuar que os enfoques orientais e ocidentais - na prática, se não na teoria - nem sequer aspiram à mesma finalidade e, em tais circunstâncias, insistir em fazê-los competir um com o outro equiale a insistir em organizar uma corrida em que a cada participante se dá uma linha de chegada completamente diversa.
O propósito confessado da maioria dos enfoques ocidentais é variamente exposto como o fortalecimento do ego, a integração do eu, a correção da auto-imagem, a construção da confiança em si próprio, o estabelecimento de metas realistas, etc. Eles não prometem a completa libertação de todos os sofrimentos da vida, nem o total aniquilamento de sintomas perturbadores. Em vez disso oferecem, e até certo ponto proporcionam, uma atenuação das "neuroses normais" que são parte essencial do fato de sermos um ego.
É verdade que, até certo ponto, os propósitos das abordagens orientais e ocidentais coicidem entre si, visto que as faixas de qualquer espectro sempre imbricam um pouco nas outras faixas; mas a meta central da maioria dos enfoques orientais não consiste em fortalecer o ego senão em transcendê-lo completa e totalmente, a fim de alcançar o moksha (libertação), o te (virtude do Absoluto), e o satori (iluminação). Tais enfoques afirmam explirar um nível de consciência que oferece total liberdade e completa liberação da causa principal de todo o sofrimento, que imobiliza nossas perguntas mais desconcertantes a respeito da natureza da Realidade, e que põe fim às nossas buscas desassossegadas e ansiosas de uma morada de paz. As metas dos enfoques orientais e ocidentais, por conseguinte, são surpreendentemente díspares, mas isso não deveria surpreender-nos, pois as metas diferem porque os níveis diferem.
Tendo dito tudo isso sobre a natureza das metas dos enfoques orientais, muitos ocidentais se mostram melindorsos ou condescentes, por haverem prejulgado todas as disciplinas orientais friolentas de mentes fracamente sentimentais, situadas em algum ponto entre a loucura mais ou menos consciente e as formas avançadas da esquizofrenia. Esses ocidentais se encontram no Nível do Ego e encaram quaisquer desvios dele com a máxima desconfiança, em lugar de encará-los com franco interesse, embora muitos sejam até considerados autoridades no tocante à natureza de todo o reino da consciência. Acontece, porém, que as únicas autoridades dignas de confiança, as únicas dignas de fé, as únicas com as quais podemos contar cientificamente são os exploradores conscienciosos que experimentaram os vários níves da consciência, incluindo o de sermos um ego e o de trascendermos o ego. Se lhes solicitarmos os pareceres sobre a natureza da Mente, da percepção Mística, da transcendência do ego, veremos que suas opniões são impressionantemente universais e unânimes; transcender o ego não é uma aberração mental nem uma alucinação psicótica, senão um estado ou nível de consciência infinitamente mais rico, mais natural e mais satisfatório do que o ego poderia imaginar em seus vôos mais desatinados de fantasia.
Franqueiam-se-nos, desse modo, duas opções no julgar a sanidade, ou a realidade, ou a desejabilidade do Nível da Mente, da percepção mística - acreditar nos que o experimentaram pessoalmente, ou tentar experimentá-lo nós mesmos; mas, se não pudermos fazer uma coisa nem outra, seria prudente suspendermos o nosso julgamento.
Se o jivatman, contudo, buscar a libertação (isto é, buscar um entendimento do Nível da Mente), as abordagens ocidentais poderão ser usadas como preparação preliminar ou como auxílio concomitante, pois quaisquer métodos que ajudem a promover um estado de relaxamento e tensão reduzida são conducentes à experiência mística. Chegando a uma conclusão bastante geral, portanto, podemos declarar que, para os seguidores da abordagem oriental do Nível da Mente, os meios ocidentais de normalização do Nível do Ego e do Nível Existencial podem revelar-se proveitosíssimos, já que a redução das tensões inerentes ao fato de sermos um ego parece facilitar a transcendência.
No último meio século saíram à luz numerosos livros e artigos que tratam dos vários méritos dos enfoques orientais e ocidentais da consciência mas, com poucas exceções, os autores dessas obras são partidários de uma ou de outra abordagem, e - a despeito das enormes contribuições de alguns deles - acabam, invariavelmente, quer de maneira sutil, quer de maneira espalhafatosa, tachando o outro enfoque de inferior, inexato ou simplesmente grotesco. Demos a entender que o problema de decidir qual o "melhor" enfoque é um falso problema, uma vez que cada uma dessas abordagens trabalha com um nível diferente de consciência. Outra maneira de demonstrá-lo é acentuar que os enfoques orientais e ocidentais - na prática, se não na teoria - nem sequer aspiram à mesma finalidade e, em tais circunstâncias, insistir em fazê-los competir um com o outro equiale a insistir em organizar uma corrida em que a cada participante se dá uma linha de chegada completamente diversa.
O propósito confessado da maioria dos enfoques ocidentais é variamente exposto como o fortalecimento do ego, a integração do eu, a correção da auto-imagem, a construção da confiança em si próprio, o estabelecimento de metas realistas, etc. Eles não prometem a completa libertação de todos os sofrimentos da vida, nem o total aniquilamento de sintomas perturbadores. Em vez disso oferecem, e até certo ponto proporcionam, uma atenuação das "neuroses normais" que são parte essencial do fato de sermos um ego.
É verdade que, até certo ponto, os propósitos das abordagens orientais e ocidentais coicidem entre si, visto que as faixas de qualquer espectro sempre imbricam um pouco nas outras faixas; mas a meta central da maioria dos enfoques orientais não consiste em fortalecer o ego senão em transcendê-lo completa e totalmente, a fim de alcançar o moksha (libertação), o te (virtude do Absoluto), e o satori (iluminação). Tais enfoques afirmam explirar um nível de consciência que oferece total liberdade e completa liberação da causa principal de todo o sofrimento, que imobiliza nossas perguntas mais desconcertantes a respeito da natureza da Realidade, e que põe fim às nossas buscas desassossegadas e ansiosas de uma morada de paz. As metas dos enfoques orientais e ocidentais, por conseguinte, são surpreendentemente díspares, mas isso não deveria surpreender-nos, pois as metas diferem porque os níveis diferem.
Tendo dito tudo isso sobre a natureza das metas dos enfoques orientais, muitos ocidentais se mostram melindorsos ou condescentes, por haverem prejulgado todas as disciplinas orientais friolentas de mentes fracamente sentimentais, situadas em algum ponto entre a loucura mais ou menos consciente e as formas avançadas da esquizofrenia. Esses ocidentais se encontram no Nível do Ego e encaram quaisquer desvios dele com a máxima desconfiança, em lugar de encará-los com franco interesse, embora muitos sejam até considerados autoridades no tocante à natureza de todo o reino da consciência. Acontece, porém, que as únicas autoridades dignas de confiança, as únicas dignas de fé, as únicas com as quais podemos contar cientificamente são os exploradores conscienciosos que experimentaram os vários níves da consciência, incluindo o de sermos um ego e o de trascendermos o ego. Se lhes solicitarmos os pareceres sobre a natureza da Mente, da percepção Mística, da transcendência do ego, veremos que suas opniões são impressionantemente universais e unânimes; transcender o ego não é uma aberração mental nem uma alucinação psicótica, senão um estado ou nível de consciência infinitamente mais rico, mais natural e mais satisfatório do que o ego poderia imaginar em seus vôos mais desatinados de fantasia.
Franqueiam-se-nos, desse modo, duas opções no julgar a sanidade, ou a realidade, ou a desejabilidade do Nível da Mente, da percepção mística - acreditar nos que o experimentaram pessoalmente, ou tentar experimentá-lo nós mesmos; mas, se não pudermos fazer uma coisa nem outra, seria prudente suspendermos o nosso julgamento.
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