Compare-se agora tudo isso com a descrição feita por Lama Govinda de uma concepção budista tibetana da consciência. Referindo-se à consciência como composta de diversas gradações, faixas ou níveis, afirma Govinda que tais níveis "não são camadas separadas ... mas têm antes a natureza de formas de energia reciprocamente penetrantes, desde a mais fina consciência luminosa 'que se irradia para todos os pontos' e 'que tudo penetra', até a forma mais densa de 'consciência materializada', que se apresenta diante de nós como o nosso corpo físico visível". A consciência, em outras palavras, é aqui descrita de maneira muito semelhante ao espectro eletromagnético, e vários investigarores ocidentais - colhendo a sua deixa nessas descrições - chegaram, de fato, a sugerir que talvez conviesse encarar a consciência como um espectro.
Se, por um momento, considerarmos a consciência como um espectro, poderemos esperar que os diversos investigadores da consciência, sobretudo os que comumente se denominam "orientais" e "ocidentais", porque empregam instrumentos diferentes de linguagem, metodologia e lógica, "fizessem ligação" com diferentes faixas ou níveis vibratórios do espectro da consciência, exatamente como os primeiros cientistas da radiação faziam ligação com diferentes faixas do espectro magnético. Podemos esperar, outrossim, que os investigadores "orientais" e "ocidentais" da consciência não desconfiassem de que estavam todos fazendo ligação com várias faixas ou níveis do mesmíssimo espectro e, por conseguinte, a comunicação entre os investigadores fosse particularmente difícil e ocasionalmente hostil. Cada investigador estaria certo ao falar sobre o seu próprio nível e, assim, todos os demais investigadores - que tivessem feito ligação com outros níveis - pareceriam estar completamente errados. Não se esclareceria a controvérsia apenas obrigando os investigadores a concordarem entre si, senão compreendendo que todos falavam sobre um espectro isto de níveis distintos. Seria quase como se Madame Curie discutisse com William Herschel acerca da natureza da radiação, se nenhum deles compreendesse que a radiação é um espectro. Trabalhando apenas com raios gama, Curie proclamaria que a radiação afeta as chapas fotográficas, é poderosíssima e poe revelar-se mortal aos organismos, ao passo que William Herschel, trabalhando apenas com os raios infravermelhos, afirmaria que nada disso era verdade! E ambos, naturalmente, estariam certos, porque cada qual estaria trabalhando com uma faixa diferente do espectro e, quando o compreendesse, cessaria a discussão, e o fenômeno da radiação seria então entendido através de uma síntese de todas as informações obtidas em cada nível, precisamente a maneira com que os físicos de hoje encaram o assunto.
A nossa expectativa de que, sendo a consciência um espectro, a comunicação entre os investigadores orientais e ocidentais seria difícil porque cada qual estaria trabalhando num nível vibratório diferente, é exatamente o que acontece hoje. Em que pese a numerosas exceções importantes, a comunidade científica ocidental concorda, de um modo geral, em que a mente "oriental" é regressiva, primitiva ou, na melhor das hipóteses, simplesmente débil, ao passo que o filósofo oriental dirá provavelmente que o materialismo científico ocidental representa a forma mais grosseira de ilusão, ignorância e despojamento espiritual. Franz Alexander, por exemplo, representando uma variedade da investigação ocidental chamada psicanálise, assevera: "As manifestas similaridades entre as regressões esquizofrênicas e as práticas do Yoga e do Zen indicam que a tendência geral das culturas orientais é o recolhimento ao interior do eu, a fim de escapar a uma realidade física e social despoticamente difícil". Representando o enfoque oriental, como se pretendesse responder a isso, D. T. Suzuki declara: "O conhecimento científico do Eu não é um verdadeiro conhecimento ... O conhecimento do Eu só é possível ... quando os estudos científicos chegarem ao fim [e os cientistas] depõem suas engenhocas de experimentação e confessam não poder continuar as pesquisas".
Se, por um momento, considerarmos a consciência como um espectro, poderemos esperar que os diversos investigadores da consciência, sobretudo os que comumente se denominam "orientais" e "ocidentais", porque empregam instrumentos diferentes de linguagem, metodologia e lógica, "fizessem ligação" com diferentes faixas ou níveis vibratórios do espectro da consciência, exatamente como os primeiros cientistas da radiação faziam ligação com diferentes faixas do espectro magnético. Podemos esperar, outrossim, que os investigadores "orientais" e "ocidentais" da consciência não desconfiassem de que estavam todos fazendo ligação com várias faixas ou níveis do mesmíssimo espectro e, por conseguinte, a comunicação entre os investigadores fosse particularmente difícil e ocasionalmente hostil. Cada investigador estaria certo ao falar sobre o seu próprio nível e, assim, todos os demais investigadores - que tivessem feito ligação com outros níveis - pareceriam estar completamente errados. Não se esclareceria a controvérsia apenas obrigando os investigadores a concordarem entre si, senão compreendendo que todos falavam sobre um espectro isto de níveis distintos. Seria quase como se Madame Curie discutisse com William Herschel acerca da natureza da radiação, se nenhum deles compreendesse que a radiação é um espectro. Trabalhando apenas com raios gama, Curie proclamaria que a radiação afeta as chapas fotográficas, é poderosíssima e poe revelar-se mortal aos organismos, ao passo que William Herschel, trabalhando apenas com os raios infravermelhos, afirmaria que nada disso era verdade! E ambos, naturalmente, estariam certos, porque cada qual estaria trabalhando com uma faixa diferente do espectro e, quando o compreendesse, cessaria a discussão, e o fenômeno da radiação seria então entendido através de uma síntese de todas as informações obtidas em cada nível, precisamente a maneira com que os físicos de hoje encaram o assunto.
A nossa expectativa de que, sendo a consciência um espectro, a comunicação entre os investigadores orientais e ocidentais seria difícil porque cada qual estaria trabalhando num nível vibratório diferente, é exatamente o que acontece hoje. Em que pese a numerosas exceções importantes, a comunidade científica ocidental concorda, de um modo geral, em que a mente "oriental" é regressiva, primitiva ou, na melhor das hipóteses, simplesmente débil, ao passo que o filósofo oriental dirá provavelmente que o materialismo científico ocidental representa a forma mais grosseira de ilusão, ignorância e despojamento espiritual. Franz Alexander, por exemplo, representando uma variedade da investigação ocidental chamada psicanálise, assevera: "As manifestas similaridades entre as regressões esquizofrênicas e as práticas do Yoga e do Zen indicam que a tendência geral das culturas orientais é o recolhimento ao interior do eu, a fim de escapar a uma realidade física e social despoticamente difícil". Representando o enfoque oriental, como se pretendesse responder a isso, D. T. Suzuki declara: "O conhecimento científico do Eu não é um verdadeiro conhecimento ... O conhecimento do Eu só é possível ... quando os estudos científicos chegarem ao fim [e os cientistas] depõem suas engenhocas de experimentação e confessam não poder continuar as pesquisas".
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