A nossa consciência normal em estado de vigília é apenas um tipo especial de consciência, ao passo que em toda a sua volta, separadas dela pela mais fina das telas, jazem formas potenciais de consciência inteiramente diversas. Podemos passar a vida inteira sem suspeitar-lhes sequer da existência; aplique-se-lhes, porém, o estímulo necessário e, ao primeiro toque, por mais leve que seja, ei-las ali em toda a sua completitude...
Não pode ser definitiva nenhuma explicação do universo em sua totalidade que não dê tento dessas outras formas de consciência... De qualquer maneira, elas atalham o nosso prematuro acerto de contas com a realidade.
Este blog é uma tentativa de proporcionar estrutura a uma explicação assim do universo. Ora, acima de tudo o mais, tal estrutura é uma síntese do que denominamos, de um modo geral mais nebuloso, os enfoques "oriental" e "ocidental" da compreensão da consciência; e, em virtude da natureza extraordinariamente vasta e complexa das duas abordagens, essa síntese - pelo menos em alguns aspectos - é deliberadamente simplista. Pode empregar-se com proveito uma analogia da física para explicar o citado enfoque.
Nosso ambiente está saturado de inúmeras espécies de radiação - além da luz visível comum, de várias cores, existem os raios X, os raios gama, o calor infravermelho, a luz ultravioleta, as ondas de rádio e os raios cósmicos. Tirante a da luz visível, a existência dessas ondas de radiação era desconhecida até cerca de 200 anos atrás, quando William Herschel iniciou-lhes a exploração e demonstrou a existência da "radiação térmica" - agora chamada infravermelha - usando, à guisa de instrumentos, nada mais do que termômetros com bulbos enegrecidos colocados em várias faixas de um espectro solar. Pouco depois da descoberta de Herschel, Ritter e Wollaston, utilizando instrumentos fotográficos, detectaram a radiação ultravioleta e, mais ou menos no fim do século XIX, a existência de raios X, raiors gama e ondas de rádio foi experimentalmente provada com o emprego de uma variedade de técnicas e aparelhos.
Superficialmente, todas essas radiações diferem muito uma das outras. Os raios X e os raios gama, por exemplo, possuem comprimentos de onda muito curtos e, por conseqüência, são muito poderosos, capazes de danificar letalmente tecidos biológicos; a luz visível, por outro lado, possui um comprimento de onda muito maior, é menos poderosa e, dessa forma, raramente danifica um tecido vivo. Desse ponto de vista, elas são realmente dessemelhantes. Outro exemplo: os raios cósmicos têm um comprimento de onda inferior a um milionésimo de milionésimo de polegada, ao passo que o comprimento de onda de algumas ondas de rádio é superior a uma milha! À primeira vista, por certo, todos esses fenômenos parecem de todo distintos.
Estranhamente, porém, tais radiações são agora encaradas como formas diferentes de uma onda eletromagnética essencialmente característica, pois todos os raios, na aparência diversos, compartem de um grande conjunto de propriedades comuns. No vácuo, todos viajam à velocidade da luz; todos se compõem de vetores elétricos e magnéticos perpendiculares em relação uns aos outros; são todos quantificados como fótons, e assim por diante. Por serem essas formas dissimiles de radiação eletromagnética - nesse nível "simplista" - fundamentalmente tão semelhantes, costumam hoje ser vistas como se compusessem um único espectro, do mesmo modo que as faixas de cores diferentes do arco-íris formam um espectro visível. Agora sendo, o que outrora se supunha serem eventos inteiramente separados, agora são vistos como variações do mesmo fenômeno básico, e os primeiros cientistas - porque utilizavam instrumentos dispares - estavam simplesmente "fazendo ligação" com várias e diferentes freqüências ou níveis vibratórios do espectro sem dar tino de que todos estudavam o mesmo processo básico.
A radiação eletromagnética, portanto, consiste num espectro de energia de vários comprimentos de onda, freqüências e energias, que vão desde os raios cósmicos "mais finos" e "mais penetrantes" até as ondas de rádio "mais densas" e menos enérgicas.
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