quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

A identificação dos níveis básicos

Dentre um número infinito de níveis possíveis, que se nos tornaram acessíveis através das revelações da psicanálise, do Budismo Yogacara, do Hinduísmo Vedântico, da terapia da Gestalt, do Vijrayana, da Psicossíntese, e quejandos, três faixas principais (e quatro níveis menores, Transpessoal, Biossocial, Filosófico e o nível da Sombra, que serão descritos mais tarde) foram escolhidas com base na sua simplicidade e facilidade de identificação. A esses três níveis chamamos:

  1. O nível do Ego.
  2. O nível Existencial.
  3. O nível da Mente.

A natureza dessa síntese começará a tornar-se mais clara se compreendermos que inúmeros investigadores da consciência estudaram alguns níveis desde pontos de vista ligeiramente diversos, e uma de nossas tarefas consiste em destilar e coordenar as suas conclusões. O Dr. Hubert Benoit, por exemplo, refere-se aos três níveis principais chamando-lhes, respectivamente, o nível da consciência objetal, o nível da consciência subjetal e o nível do Princípio Absoluto. Wei Wu Wei, por sua vez, chama-lhes os níveis do objeto, do pseudo-objeto e do Sujeito Absoluto. O Budismo Yogacara tem o mano-vijnana, os manas e o alaya. Os mesmos níveis também foram enfocados por outros renomados exploradores, como William James, D. T. Suzuki, Stanislav Grof, Roland Fischer, Carl Jung, Gurdjieff, Shankara, Assagioli, John Lilly, Edward Carpenter, Blake - para nomear apenas um punhado deles. Tem também um interesse especial para nós o fato de vários psicólogos terem restringido (se bem que sem o querer) suas investigações num nível principal, e suas conclusões são de imensa importância para esclarecer e caracterizar cada nível individual. Mais notáveis, entre outras, são as escolas de psicanálise, de psicologia existencial, de terapia da Gestalt, do behaviorismo, da terapia racional, da psicologia social e da análise transacional.

Em outras palavras, começará a emergir do nosso estudo do Espectro da Consciência não só uma síntese de enfoques orientais e ocidentais da psicologia e da psicoterapia, mas também uma síntese e integração dos vários enfoques ocidentais principais da psicologia e da psicoterapia. Ora, neste ponto, sem chegar a nenhum dos pormenores e sem "revelar nenhum segredo" digamos apenas que as várias diferentes escolas de psicologia ocidental, como a freudiana, a existencial e a junguiana, estão se dirigindo também, no todo, a vários níveis diferentes do Espectro da Consciência, de modo que podem ser igualmente integradas numa abrangente "psicologia do espectro". Afirmo, com efeito, que a principal razão da existência, no Ocidente, de quatro ou cinco escolas principais, porém diferentes, de psicologia e psicoterapia é que cada uma delas focalizou sua atenção e numa faixa ou nível principal do Espectro. Não são, digamos assim, quatro escolas diferentes que formam quatro teorias diferentes a respeito de um nível de consciência, mas quatro escolas diferentes onde cada uma das quais se dirige predominantemente a um nível diferente do Espectro (por exemplo, os níveis da Sombra, do Ego, o Biossocial e o Existencial). Essas escolas distintas, por conseguinte, mantém uma relação complementar entre si, e não, como geralmente se supõe, uma relação antagônica ou contraditória. Fio-me de que isso se torne amplamente aparente à proporção que este estudo prosseguir.

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